NARNIA
Depois do sucesso do excelente álbum "Awakening" os Suecos Narnia editaram este ano pela Nuclear Blast o não menos fantástico "Long Live the King". Para saber novas deste novo trabalho e sobre o passado e futuro do grupo a New Beginnings entrevistou o vocalista Christian Lijiegren .
New Beginnings (NB): Eu sei que antes dos Narnia estiveste envolvido no projecto Modest Attraction. O que é que aconteceu com este grupo? Ainda esta no activo? Porque formar uma nova banda?
Narnia: Os Modest Attraction era uma banda que tocava um hardrock típico dos anos 70 e tinha como influência os Deep Purple, Uriah Heep, e The Sweet. Com esta designação editamos os álbuns "The Truth In Your Face" em ’94 e "Divine Luxury" em ’96. Dado que estes CD’s são bastante raros a nossa editora no Japão, Pony Canyon, decidiu editar em ’99 um best of simplesmente intitulado "Modest Attraction". Actualmente a banda esta fora do activo porque todos os membros estão envolvidos em outros projectos.
Embora o estilo de música que os Narnia tocam, melodic metal, fosse, desde sempre, o meu preferido nunca me tinha passado pela cabeça formar uma banda deste género, até ter conhecido o Carljohan. Nós sentimos que Deus nós chamou para formar esta banda porque Ele deu-nos a missão de espalhar a boa nova de Jesus Cristo através da música dos Narnia.
NB: Algumas bandas que tem uma mensagem cristã não gostam de ser rotuladas de cristãs. Não achas que o fazem simplesmente por terem vergonha ou porque dessa forma podem ter mais facilidades em ser aceites no mercado? Já agora, como é que os Narnia se denominam?
Narnia: Os Narnia são uma banda de metal melódico com letras cristãs bastante directas. Pouco me importa se nos rotulam como uma banda cristã ou não, pois para mim isso não tem qualquer importância, ... o que realmente interessa é que os Narnia são uma banda cuja mensagem assenta na vida e obra de Jesus Cristo.
Eu penso que muitas bandas não gostam de ser classificadas de Whitemetal, termo que é antiquado e um pouco descabido (ed. estou 100% de acordo), porque tal fecha a porta a muitos não cristãos que ao saberem que um grupo se denomina de cristão não vão ouvir a sua música.
NB: Porque é que no álbum de estreia usaram uma "drum machine" em vez de uma bateria real ?
Narnia: Durante esse tempo a banda era constituída por mim e pelo Calle e até a gravação do álbum não encontramos um baterista que nos agrada-se, daí a utilização de uma "drum machine". É obvio que poderíamos ter "alugado" um baterista profissional, mas na altura as condições monetárias não o permitiam.
NB: Os Narnia são distribuídos na Europa e nos Estados Unidos por uma editora secular, mas alguns cristãos acham que as bandas que se denominam cristãs não deveriam "misturar-se" com os outros (não cristãos). O que é que pensas de tal comportamento?
Narnia: Eu acredito que é muito importante que uma banda que tenha letras de cariz cristão esteja numa editora secular, caso contrario o grupo não pode fazer chegar a mensagem de Cristo às pessoas que estão fora do meio.
NB: As vossa letras são bastante directas e tem uma mensagem muito forte e que se adequa muito bem com o estilo por vós praticado. No entanto o último verso de "Shelter Through the Pain" parece fugir um pouco da temática da música. O verso em questão é o seguinte: "Let me see the Ligth in the end of this tunel, Kissing your lips, Feeling your body next to mine".
Narnia: "Shelter Through The Pain" fala do fim de uma relação e do apoio de Deus nesses momentos dificeis. Esse verso em particular fala da procura da mulher da minha vida ... mulher essa que já encontrei ... ela chama-se Sara.
NB: E agora uma questão muito complicada. Quais são as tuas canções favoritas em "Long Live The King" e porquê ?
Narnia: É muito complicado fazer uma escolha, mas se eu tivesse de escolher, a escolhida seria "Living Water" porque para além de ter muita energia e uma influência classica gosto bastante da letra pois fala da força do Espirito Santo na minha vida.
NB: Não sei se tiveste oportunidade de ler a critica que a revista Terrorize fez do vosso primeiro trabalho. Na dita review o seu responsável passou a maior parte do texto a criticar, tanto a banda como a Nuclear Blast, de forma bastante negativa simplesmente por se tratar de uma banda cristã,... mas sobre a música pouco falou. O que achas deste tipo de criticas? Como é que a imprensa ve a vossa música ?
Narnia: Até ao momento a maior parte das criticas que temos obtido são bastante boas, mas também à algumas revistas que não gostam de nós simplesmente por temos uma mensagem cristã.
Mas nós não temos medo... temos uma missão para cumprir nos Narnia e nada nós irá impedir de ser uma banda com uma mensagem cristã bastante forte.
NB: Sei que voçes tem feitos digressões com algumas bandas seculares. Como é que essas bandas e a audência reagem a vossa música e ideais ?
Narnia: Sempre tivemos uma boa relação com as bandas com que temos tocado até ao momento. Eles respeitam as nossas ideias e muitas vezes nos perguntam sobre a nossa Fé e isso para nós e bastante encorajador.
NB: Em alguns paises, tal como nos EUA, podemos afirmar que existe a cena cristã dentro do metal. Em Portugal, infelizmente, não posso fazer tal afirmação e no vosso pais como é que estão as coisas? Podes falar-me de alguamas bandas Suecas ?
Narnia: Infelizmente agora existem menos bandas cristãs na Suecia do que nos anos ‘80. No entanto existem algumas de excelente qualidade tais como: Heartcry, Bishop Garden, Veni Domine, Sanctifica, Charizma e Cornerstone.
NB: Porque é que achas que o estilo de musica que voçes tocam é tão popular nos paises Asiaticos ( Japão, por exemplo) ?
Narnia: Os Japoneses sempre foram admiradores de música bastante melodiosa. Mas, e ao contrario do que muita gente pensa, o mercado no Japão mudou bastante e neste momento é muito complicado que um grupo com um som mais melódico tenha sucesso nesse pais.
NB: Planos para o futuro ?
Narnia: Procurar conhecer a vontade de Deus para os Narnia, começar a escrever novo material para o proximo CD e dar muitos concertos. Nós colocamos tudo nas maões de Deus. Sozinhos somos fracos, mas juntos com Deus somos fortes.
In "New Beginnings nº3"